domingo, 5 de maio de 2013

Estranhes

Havia, nas mensagens dela, palavras habituais que já não eram citadas no mesmo contexto. O estranho não está no fato delas não estarem mais ali, mas por não terem sido substituídas por outras. Eu, após dois (ou quatro, ou dez) relacionamentos conturbados, acreditava que sabia – mesmo se houvesse alguma venda em meus olhos, prever que algo estava errado. Disse algo a mais: – “Talvez eu saia daqui a pouco, uma cerveja com os amigos, quem sabe?!”. Lógico, havia uma pitada de indecisão que não era proposital, mas eu queria dela uma palavra que me trouxesse tranquilidade. Aprovação, afinal, eu só queria sair um pouco àquela noite. O sair, beber e amigos não significam o mesmo que não voltar pra casa, ficar “trêbado” e trair você com qualquer um. E, mesmo depois de todos os nossos rodeios para, enfim, chegar a lugar nenhum, isso sempre esteve claro pra nós. Nós sabíamos disso, pois zelamos pelo respeito, confiança e sinceridade que existe em nossa relação. Ao fim de tudo, ainda não sabemos, o que causou essa estranhes nas palavras (não) ditas, nessa nossa conversação com um tom desconfortante e essa distância passageira e boba que parece existir entre nós, agora. Ao menos, há certeza de duas coisas, de minha parte: eu sinto algo excessivamente forte, por ela; segundo, embora todos os relacionamentos conflitantes, eu me zerei para te aceitar como minha e me tornei um aprendiz dependente de como você, à sua maneira, nos conduz. À parte do que está dito, uma incógnita: após tempos sem conseguir exteriorizar em palavras o que penso e sinto, porque só agora obtive essa proeza? 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Quaisquer, ao vento



Descobri que as coisas que, instantaneamente, às vezes, parecem me despertar o querer é desnorteado pelo que você causa em mim. Às vezes eu quero e busco a solidão. Não me refiro a terminar com você. Jamais! Mas me afastar um pouquinho, criar um espaço só meu e ficar boiando nele, jogando pra lá e pra cá todas essas coisinhas miúdas que ocupam um espaço na minha cabeça. Aí, quando parece que estou apenas comigo mesma, não me enxergo sozinha. Só me vejo com você, por todos os lados. Vasculho as memórias recentes e vejo que, mesmo sem te ter aqui, juntinho, te procuro pra qualquer coisa. Pra dizer um oi qualquer. Ou perguntar como foi o teu dia. E principalmente, sem usar a linguagem, lembrar-te de que existe alguém, aqui, que o ama. Convenço-me, então, e passo a acreditar fielmente que já não sou mais nada sem você.

domingo, 3 de março de 2013

Confissão

É fácil quando se consegue explicar. Você sente que tem algo que incomoda, que ao invés de 'sim', na verdade você gostaria de ter dito um 'melhor não', mas não diz por respeito ao livre arbitrio. Porém se espera, no mínimo, compaixão a isso que a gente sente -  que não explica, e que nas entrelinhas está bem ali. Talvez seja claro pra mim que estou sentindo. É complexo demais pensar na distância, também, como algo que te venda os olhos. Te exclui de qualquer interação e você, definitivamente, nunca saberá se houve algo que pudesse virar um incomodo futuro ou se simplesmente foi tudo diversão. Ou ambos. Prefiro pensar - e acreditar - que foi uma noite qualquer, em que nos encontrávamos em pensamento, sem tom de vigia, mas para lembrar "tem alguém que ama você", e te fazer aproveitar a noite sem colocar nada em risco ou cometer aquele erro fatal. Desculpe-me, mas a imaginação é uma arma assassina se deixarmos ela fluir da maneira que quiser. Então eu esperaria você chegar e me mandar aquela mensagem dizendo que está bem, está em casa e que me ama, e então eu conseguiria dormir com tranquilidade, sem que sombras de qualquer situação indesejada pudesse atormentar meus pensamentos. E nele, então, só ficaria você.