É. Vai ter que ser a seco. Engolir toda essa dor, e evitar
transbordar esse sentimento todo. Não consegui dizer, em resposta às tuas
palavras, que sim, eu te amo. Embora quisesse largar um “ainda” para trocar um
pouco o sentido da frase. Mas as três palavras estavam bloqueadas. Não havia
como acrescentar a quarta. E agora o tempo é esse: paulatinamente, acomodar a
dor nesse espaço aberto. Minha ferida forjada. Vinda sem um por que. Embora eu
dissesse que [e tu quisesses me convencer que não] os vestígios do passado não
somem da noite para o dia. O que deu errado uma vez será marca permanente no
peito de quem a sentiu. E quando situação semelhante acontece conosco, o doer não
advém do sentir, somente: mas da confirmação de que havia uma razão ao desconfiar.
Eu lembro: vi-me sendo o seu chão quando decidiu entregar-se pra mim na
contradição de ser uma ferida exposta e dolorida em uma caixa fechada e
lacrada. Você não falava, mas doía. Sabe como me senti? Corresponsável. Não
pela dor, mas a possibilidade de fazê-la diminuir. Ser o teu [novo] alguém importante.
Essencial. Então me vi amenizando tuas arestas e te dando a mão pra seguir,
mostrando o chão para pisar. Então você se foi. Escolheu o caminho mais
distante possível de mim, agora que estava suficientemente potente para decidir
por si. Não me vejo, há alguns dias, parte do teu caminho. Parte do teu ser. E
em algum momento, que agora em lágrimas não me permito ver, nos desvirtuamos, e
assim, seguimos rumos diferentes onde não mais existe um “nós”.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
domingo, 5 de maio de 2013
Estranhes
Havia, nas mensagens dela,
palavras habituais que já não eram citadas no mesmo contexto. O estranho não
está no fato delas não estarem mais ali, mas por não terem sido substituídas
por outras. Eu, após dois (ou quatro, ou dez) relacionamentos conturbados, acreditava
que sabia – mesmo se houvesse alguma venda em meus olhos, prever que algo
estava errado. Disse algo a mais: – “Talvez eu saia daqui a pouco, uma cerveja
com os amigos, quem sabe?!”. Lógico, havia uma pitada de indecisão que não era
proposital, mas eu queria dela uma palavra que me trouxesse tranquilidade.
Aprovação, afinal, eu só queria sair um pouco àquela noite. O sair, beber e
amigos não significam o mesmo que não voltar pra casa, ficar “trêbado” e trair
você com qualquer um. E, mesmo depois de todos os nossos rodeios para, enfim,
chegar a lugar nenhum, isso sempre esteve claro pra nós. Nós sabíamos disso,
pois zelamos pelo respeito, confiança e sinceridade que existe em nossa
relação. Ao fim de tudo, ainda não sabemos, o que causou essa estranhes nas
palavras (não) ditas, nessa nossa conversação com um tom desconfortante e essa
distância passageira e boba que parece existir entre nós, agora. Ao menos, há
certeza de duas coisas, de minha parte: eu sinto algo excessivamente forte, por
ela; segundo, embora todos os relacionamentos conflitantes, eu me zerei para te
aceitar como minha e me tornei um aprendiz dependente de como você, à sua
maneira, nos conduz. À parte do que está dito, uma incógnita: após
tempos sem conseguir exteriorizar em palavras o que penso e sinto, porque só
agora obtive essa proeza?
quinta-feira, 14 de março de 2013
Quaisquer, ao vento
Descobri que as coisas que, instantaneamente, às vezes, parecem
me despertar o querer é desnorteado pelo que você causa em mim. Às vezes eu
quero e busco a solidão. Não me refiro a terminar com você. Jamais! Mas me
afastar um pouquinho, criar um espaço só meu e ficar boiando nele, jogando pra
lá e pra cá todas essas coisinhas miúdas que ocupam um espaço na minha cabeça.
Aí, quando parece que estou apenas comigo mesma, não me enxergo sozinha. Só me vejo
com você, por todos os lados. Vasculho as memórias recentes e vejo que, mesmo
sem te ter aqui, juntinho, te procuro pra qualquer coisa. Pra dizer um oi
qualquer. Ou perguntar como foi o teu dia. E principalmente, sem usar a
linguagem, lembrar-te de que existe alguém, aqui, que o ama. Convenço-me,
então, e passo a acreditar fielmente que já não sou mais nada sem você.
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