sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Paradoxo

Querer estar só e desejar, enlouquecidamente, alguém por perto. A única especificidade é que esse alguém, eu sei de quem se trata. Entro nessa paranoia de controle para não te ligar, pra ver se aprendo lidar com isso sozinha, sob a desculpa (ou preciso aceitar) que você não vai estar disponível pra mim o tempo todo. Eu me coloco disponível o tempo todo pra ti? Chorei, e não soube dizer pra mim por que o fiz. Quem sabe, então, a verdade é que eu estivesse esperando que tu me procurasses, e com minha resposta “não passei muito bem” a tua pergunta “como foi teu dia”, pudesse abrir uma brecha pra conversarmos sobre como me sinto, e nem sei por onde começar. Eu não quero estar só! Do mesmo modo que não quero correr pra ti, parecendo frágil e despedaçada. Agora sei que todas as postagens nas redes sociais, na verdade são pedidos de socorro. Ninguém consegue lidar sozinho consigo mesmo. Estar só é um convite a todos os medos que te assolam e que você despista durante o dia, envolvido com outras coisas. Quando coloca teus fones e tem a companhia de uma música boa, que te acalma, embora também provoque algumas coisas aí dentro. A bebida, tua companhia e tua analgesia. E teu corpo te inclina a escolher as canções mais tristes, como imãs para esse teu mal-estar: que saia ao som da música para qualquer outro lugar, não importa, desde que não mais aí dentro. Deixe esse corpo se tornar vazio outra vez. Vazio de coisas tristes. [Originalmente escrito em 09 de julho de 2016].

sábado, 9 de maio de 2015

Quando a saudade não vem só

Há dois meses vim embora. Outro rumo à vida. Deixei-te junto aos demais. Deixei, pois precisava vir. Eu, com minha vida parcialmente definida, eu sabia onde estava indo. Mas te deixei com tua interrogação sobre onde você gostaria de ir; gostaria de estar. Ao menos foi isso que pensei logo depois que vim. E nos afastamos mais. Não tem haver com afastamento geográfico. Quem dera fosse isso! Chorei uma vez, aos prantos, como agora quando te escrevo. Chorei a primeira vez, depois que me deste uma carona e no carro tocava uma música da banda Engenheiros do Hawaii, que costumávamos tocar juntas: “pra ser sincero não espero de vocês, mais do que educação; beijos sem paixão”. “Educação”: não temos, pois até nosso cumprimento tem sido frio. “Beijos sem paixão”: não há mais toque. Contato físico: abraço, beijo, cafuné, nem mesmo olhares. Nada. Há uma grande barreira entre nós. Tecida por causa de laços terceiros e pelas escolhas que fizemos ao seguir um rumo que nos leva a um horizonte, mas não às amarras de um abraço. Do nosso abraço. Eu estou bem, eu juro! E gostaria de ouvir o mesmo de você. Gostaria de ouvir sobre tua vida; que me contasse uma história. Qualquer coisa. Mas eu penso que não te conheço mais. Ao menos você pensa em mim como eu penso em ti? Ao menos você coloca pra fora estas coisas que gostarias de dizer pra mim, mas que, por algum motivo, guarda pra ti? Ora, eu não sou um monstro! Mas me sinto como um ao teu lado. Lado este que você faz questão de não ficar. Quando eu volto pra aí onde te deixei uma vez, você se afasta. Ausenta-se. E me deixa em um poço de indiferença e dúvidas. Isso só alimenta esse meu vazio. Mas se tu me disseres que este lugar em que escolheste ficar hoje, esse desencontro todo que temos, se me disseres que estás bem, eu ficaria bem também. Eu não pediria pra me explicar nada. Eu só precisaria saber se está feliz, e assim acalmaria meu coração. Mesmo que ainda permanecemos afastadas. Eu acredito que amar é isso: deixar o outro livre. E você pode ir, pra onde quiser ir. Eu só preciso saber se estamos bem. Eu te amo, inabalavelmente, amo, minha irmã.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Alguém de se ver

O que existe na brecha entre o consciente sadio e um inconsciente despindo-se pelo estímulo alcoólico? O que de fato se passa no íntimo e que encontra facilidade para externar-se, sobretudo quando estímulos, como o álcool dito anteriormente, se fazem presentes? Estes desejos ocultos sempre estiveram ali? (Talvez a Psicologia possa explicar isso). Creio que estavam presentes, sim. Bem como alguém que não se vê, camuflado em uma invisibilidade simbólica, criada por quem olha. A diferença é que um desejo é abstrato; alguém é carnal, real, portanto, palpável. Mas este alguém, a que me refiro, esteve em abstrato por algum tempo, admito. Como qualquer outro, era um alguém que produzia existência em corpo vivo bem a minha frente. Presente em certos dias, ainda que alguns deles fossem caóticos no meu íntimo, cujas percepções dos momentos se misturavam entre desejos e realidades. Nem mesmo eu que vivia tais momentos saberia distinguir o que era o quê. Tu não percebias isto, penso eu. Contudo, este alguém, que neste meu período de incoerências e interrogações, também manteve-se em uma suposta invisibilidade, assemelhava-se a algum vício meu. Um vício daqueles que se consistia em qualquer outra coisa (ou outro alguém) comum ao se olhar. Pois, em meu frágil entendimento, quando estamos assombrados por um vício (ou pela cegueira de um gostar), olhar para o outro ocorre, mas sem enxergá-lo. É pragmático. Um simples passar de olhos. Ocorre sem que os olhos identifiquem uma possível existência; um alguém que possa te interessar, te afetar, tocar você. Alguém tão próximo a ti: tuas cores, formas, gestos e intensidades. Tudo que pertence a ela, a este alguém, esteve presente, visível e tocável a minha frente. Escancarado! Mas meu íntimo não permitiu enxergá-la, cego por um vício que, na referida ocasião que manteve este alguém invisível, era soberano, exclusivo e impermeável. Dissolvi, por algum motivo (e em algum momento que não sei dizer precisamente qual foi), todos os mantos que encobriam àqueles que estavam a minha frente. Enxerguei, um a um. Procurei encontrar nos seus corpos os traços que eu não havia enxergado jamais. Enxerguei você. Sob o estímulo alcoólico sei que revelamos nossos desejos mais íntimos. Nos descobrimos. Nos enxergamos. Nossos inconscientes, incomunicáveis em todos os sentidos possíveis, por alguma razão agiram simultaneamente, na medida em que identificaram a brecha perfeita para nos aproximar. Sintonia, química, escrito nas estrelas, ou Deus quis assim. Que seja! Mas desejo que a cada encontro você se revele, despindo-se suas variáveis, sejam elas cores, formas, gestos e intensidades. Que revele o que eu ainda não encontrei em mim. Que eu me encontre em ti, e, principalmente, que permaneça!

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Ao acompanhar alguns debates políticos calorosos pelo facebook, fico refletindo algumas questões que, a meu ver, diferem-se apenas ao contexto a que um posicionamento e outro fazem referência. Por um lado, tem-se defesas de uma política que atenda aos interesses da "nação" em contraposição aos interesses de grupos específicos (diversidades, pois bem). Por outro lado, inversamente, há posicionamentos defendendo os interesses de “grupos específicos” (ressalto: grupos que compõe a mesma "nação"), mas que se debruçam em defesas mais pontuais destes grupos “invisíveis” por compreenderem, em algum momento, estas minorias não são reconhecidas/respeitadas como PESSOAS de direito, como qualquer outra pessoa pertencente à dita nação. Questiono, pois, qual a possibilidade dos problemas de uma "nação" não serem prioridade, como afirmado em alguns discursos, ao priorizarem os problemas específicos de determinados "grupos"? A meu ver, é um pensamento muito vazio, achar que os problemas da “nação” não são priorizados. Estes grupos pertencem à mesma nação, heterogênea! O que está em pauta não é o direito do homossexual (pensando este como um destes “grupos específicos”), por exemplo, em detrimento do direito do heterossexual. Ou o direito da mulher em detrimento do homem. O direito do deficiente físico, em detrimento de uma pessoa sem deficiência. O que está em pauta, indiscutivelmente, é o RESPEITO a qualquer ser humano. Independente de qual seja sua diversidade. Compartilhamos o mesmo espaço, o mesmo mundo, o mesmo ambiente, e se são estes os “problemas da nação”, então defender o direito a VIVER A VIDA, seja do homossexual, do negro, do punk, do morador de rua, de quem quer que seja, é promover a harmonia da convivência neste espaço comum; é promover o respeito; é possibilitar a liberdade de expressar o que se pensa/sente sem que se propague um discurso de ódio que incite a violência; é promover o valor da igualdade, mas com respeito à diversidade. Então estes também são problemas da nação!Tu podes não gostar de homossexuais, negros, índios, ricos, políticos, evangélicos, mas o teu “não gostar” não te da o direito de desrespeitar. De achar-se soberano. Pertencente “a melhor classe”. É necessário que aprendamos conviver juntos, na diferença, pois estamos unidos à mesma terra, ao mesmo ambiente, à mesma nação. Então, um pensamento que atenda a uma nação deve ser policêntrico, que enxergue essa diversidade que nos dá a condição de pluralidade humana. Um pensamento consciente da unidade (é uma única nação) e, concomitantemente, a diversidade (são diferentes grupos). Enquanto não haver essa harmonia é necessário SIM que os interesses de grupos específicos sejam priorizados. Chega de produzir e reproduzir invisibilidades! Basta que a violação dos direitos humanos nos indigne que nos damos conta que fazemos parte dessa luta também

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Ventar

As vozes delas estavam tornando-se um emaranhado de palavras vazias para minha mente que estava em qualquer outro lugar, menos ali. Não é a presença delas que esta em discussão aqui. E sim uma fuga, que não sei bem do quê era, mas eu a buscava. Ainda que fosse por meus próprios pensamentos. Pus minha mão vidro a fora, com a velocidade alta que eu conduzia o carro e o vento batia firme e frio. Foi quando me senti viva. A cada espasmo na mão. A cada pisada no acelerador que acelerava o carro e impulsionava a força do vento que encostava minhas mãos: o frio, a dor, o invisível, o tato, a percepção do intocável, mas existente. Eu o sentia. A mesma mão que afagava a mão dela, ao lado. Foram as palavras delas que afetou algo em mim. Assim como meu silêncio incomodou a elas. Desloquei seus dizeres a outros contextos, que não àqueles a que estavam sendo ditos. E desvelei coisas em mim, contextos meus, em outros tempos. Cavei na profundeza das minhas memórias o que não eu quis mexer por um tempo. Não consegui resolver, quando deveria. Coisas reservadas, invisíveis e intocáveis, que eu sentia. Assim como o vento. A maior perplexidade dessa história é que eu não sei com exatidão o que é que está havendo comigo. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Lembranças

Carpinejar (sempre você), disse: "Infelizmente, a saudade apodrece. Quando deixamos de pedir a presença para cobrar a ausência. É sutil o movimento. Toda a atenção dedicada ao longo de um período começa a ser vista como desperdício. Não aconteceu retorno das juras, nem o estorno das expectativas (...)". É! Todos os dias é um vai e vem. Nem um rosto se repete. Exceto aqueles fieis, que nunca arredaram o pé do seu lado. Não é uma palavra de incentivo que o conforta, apenas. Mas, quem sabe (e eu acredito nisso) o afeto após uma queda tenha muito mais a ver com lealdade. E juras vem de tudo quanto é lado. Questionar sua legitimidade e intencionalidade, pois, também faz parte da vida, que requer um pouquinho de temperança. Mas, como não caminhar recuando, se avançar é lembrar? Ainda não aprendi.

"Quando você chorou eu enxuguei todas as suas lágrimas. Quando você gritou eu lutei contra todos os seus medos. Eu segurei a sua mão por todos esses anos. Mas você ainda tem tudo de mim. Você costumava me cativar pela sua luz ressonante. Agora eu estou limitada pela vida que você deixou para trás. Seu rosto assombra meus únicos sonhos agradáveis. Sua voz expulsou toda a sanidade em mim". Amy Lee.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Reflexão

A leitura da noite "Me ajude a Chorar", Fabrício Carpinejar.
"Somos o que ficamos depois de sofrer. Porque na dor encontramos uma honestidade que não há em nenhum outro sentimento. Porque na dor encontramos uma urgência que não há em nenhum outro lugar. Porque na dor encontramos uma autenticidade que não há em nenhum conselho. Ninguém usará disfarces, adiamentos, mentiras quando sofre. É quando nos conhecemos, nos aceitamos e passamos a amar as pequenas gentilezas e descobertas." Fico refletindo, por várias vezes, sobre essas questões e, confesso que não sei até que ponto é possível a humanidade transcender à dor, a ponto de enxergar na vida seu caráter autopoiético. De se produzir-se e tecer-se enquanto vida. De não necessitar da dor para compreender certas coisas de vida. Toda vida tem sua dor, mas nem toda dor produz vida.

"Se é a negação que se descobre de verdade, o que te sobra além das coisas casuais?"

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Desabafo

Das últimas ironias da vida, cheguei a conclusão que eu não gostaria de cair nas armadilhas do "deveria" ou ficar condicionada ao "se" pelo resto dos meus dias. "Deveria" ter estado mais presente. Ter feito isso, aquilo, ou aquele outro. "Deveria" ter dito que o amava. Que era importante. "Se" assim eu tivesse feito... "Se" eu pudesse voltar e recomeçar... Então, caso houvesse menos “se” e “deverias”, talvez o sofrimento humano não estivesse neste nível: elevado ao extremo. Dilui-se em dor este mal chamado arrependimento crônico. Depois de ir, vai sem volta. Mas confesso o quão difícil é transcender essas barreiras íntimas (em tempo). Penso, às vezes, ser um egoísmo ingênuo, desnecessário, mas que está presente e por isso nos limitamos a dizer e expressar certas coisas. Bom, mas essas questões não são temas de aula, mas aprendizados existenciais. Briga diária consigo mesmo. Ninguém nos ensinou a expressar sentimentos, pois não é algo que se aprende como um B+A=BA. Não existem regras prontas, fórmulas, escritas em um manual que se siga a risca e então, tudo certo. Cada um tem seu ritmo, seus passos, seu jeito, seu espaço, seu modo. Sentir não é suficiente, muitas vezes. Expressá-lo, genuinamente, sim. O modo de expressão, tanto importa. Conteúdo sim

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Rememorando

Utilizar alguns segundos para externar em palavras aquele grito sufocante e que ecoa há dias na cabeça resulta em conclusão. Com ponto final e tudo. Dos dizeres que recito mentalmente, muitos deles estão estampados no meu silêncio. Uma estranhes se fez presente desde que não nos falamos mais e, a meu ver, já não são apenas palavras os meios capazes de desfazer esse abismo com facilidade. É preciso bem mais que isso, se assim o quisermos. Hoje aqui, outra noite que se vai e já declaro que estou bem. Embora tenha pensado muito sobre, consigo fechar os olhos e deixar o azul tomar conta, envolvendo-me nesta calmaria toda que tem sido os últimos dias. (Ou apenas a minha habilidade de relevância tenha aumentado e as coisas estão mais fáceis de lidar). Mas confesso, pois, que desde que decidiu seguir e desprender-se de mim (tudo bem, não havia nó concreto que nos prendesse) tenho sido rodeada por inquietações que circundam o teu ser. Eu penso (e me amedronta dizer isso) que talvez exista em mim uma grande força inconsciente que tenha desenhado este “você” a que me refiro/reflito tanto. Um “você” demandante da minha atenção, do meu jeito cuidadoso, pouco curioso, com um querer embebido da confusão dos dias que tens passado. Mas vendo de outro panorama, não se tratou de manifestações de quereres ocultos ditados pelo meu inconsciente: houve teus dizeres sim, tuas confissões, teus anseios compartilhados e uma possibilidade de sentimento escancarado na timidez das tuas palavras e nos impulsos que as tornavam audíveis para mim. Digo mais: a reciprocidade existiu, convenhamos. O teu querer foi meu querer também. Confessamos isso. Mas por algum motivo (que minha cabeça se revira para responder) você decidiu se afastar. Você se dizia estar em confusão o tempo todo. Não a desfez, eu sei, mas optou se afastar pra não torná-la maior. E fazendo isso, abre mão de algo que te fazia bem (fazia?). Ah, me resta é respeitar, apenas. Enfim, são coisas que jamais serão respondidas. Se pensas em mim, como pensas, se sente falta, se de fato esteve a fim, se terias coragem para seguir, se assim quisesses. Sigo, assim: não podemos parar no tempo, embora ainda me pego reciclando tuas frases. Resgatando teus dizeres. E remoendo eles para buscar entender por que preferiu afastar-se. Como eu disse uma vez: é tão estranho sentir-se estranho para quem se quer bem. Doeu, porque foi importante. Mas se te faz feliz, que prossigas. Sejas feliz!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Desenhe

Este teu giz colorido já não funciona mais: meus traços permanecem pretos e brancos? Ou tu não me colores mais como queres ou não funciono mais como um quadro receptor para o teu giz. Não quero mais tua cor? Não queres mais a tua cor em mim? Desenha em mim o que quiseres. Cicatriza em minha pele o que desejas ver em mim. Sombreie de preto quando achares que as coisas andam como nuvens negras. Borre quando achares que estava errado e tentou consertar, mas assim como quando amassamos um papel e depois tentamos torná-lo como no princípio, não conseguiremos desfazer os traços deixados, talvez para sempre. Quando as coisas que dizes refletem em um sorriso meu, desenha o que há de mais colorido no maior espaço que conseguires, pois é isso que eu pretendo mostrar a eles: o que há de melhor em mim cultivado por ti (também). Cante aos meus ouvidos, seja a música que for ao tom suave da tua voz, sempre será a melhor das músicas. E desse jeito eu me dôo a você, da forma mais natural, do jeito mais sincero e inocente.

Publicado originalmente em, sábado, 17 de abril de 2010.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Aprendizados tardios

Sem querer desconsiderar outros momentos educativos que permeiam nosso cotidiano... mas é preciso atentar para os aprendizados tardios, no sentido causa-efeito da coisa. Apenas dois exemplos. Ao mesmo tempo em que pode ser curioso abordar isso, também é revoltante, já que, agora está tão óbvio e representa ser mais simples para lidar. O resumo da ópera em um exemplo clichê: é preciso perder algo/alguém fundamental na existência do ser (eu/você), para percebermos o quão valiosos eram. Se bem que isto está intrínseco na condição de ser humano: a consequência mais dolorosa é aquela quando não há o reconhecimento da essência e importância de algo/alguém em tempo hábil para ser feito algo suficiente e que evite, então, perde-lo. Complexo. E aí eu faço um paralelo a outro aprendizado que considero tardio: em consequência da desvalorização do essencial, nosso estado de humor involui para o “down”. Ilustrando: perguntam-te: como estás hoje? E você remoi no seu âmago todas as coisas que poderiam ser responsáveis pela (possível) negatividade do teu dia, mesmo que você encontre como resposta apenas um “levantei cedo hoje, fiquei mal humorado o resto do dia”. Coisas fajutas, convenhamos! Há tanta coisa ruim lá fora. E, ainda assim, o umbigo humano é mais importante que o exterior. Que o outro ser humano, igual a ti. Contudo, só percebemos que estamos (estávamos, melhor dizendo) relativamente bem, quando estamos pra baixo. Tristes, cabisbaixos. Pois, agora, nessa condição de mal estar, de fato temos um motivo palpável para não estarmos e afirmarmos que não estamos bem. Diferente da vez que procuramos algo pra acreditarmos que há algo errado. Sem erro algum. Pra finalizar, reflita sobre. Que espaços você afeta? Como afeta? O que te faz bem? ... Antes de mais nada, é preciso ser feliz (com o que se tem)!

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O que ficou

Tirei cinco minutos da minha vida pra escrever estas coisas “daqui de mim”, já algum tempo. Não é sobre o que eu quero ou sobre o que “poderia ter sido se...”. É sobre o que vivi este ano. Não tive paradeiro. “Morei em tantas casas que nem me lembro mais” como já dizia Renato Russo. De um lado a outro. Deixando alguns, sendo deixada por outros. Reforçando alguns laços que achei que com a distância e a ausência pudessem ser corrompidos e desfazendo àqueles que jurei serem eternos. Eternos na existência real, e não em lembranças doídas. Foi um ano tão a flor da pele. Que esta “flor”, por sinal, não foi a mais linda, teve mais espinhos do que brilho e cor. E a pele sentiu doer. Cresci, ao menos. E agora mais do que nunca defendo que os valores da essência devem prevalecer. Que o tempo revela as pessoas e não as modifica. Que banalizam o amor, como um sentimento que vai e volta, nasce e morre, a qualquer instante, como se tivéssemos o domínio de amar. Que ficar com alguém com o pensamento em outro é aprova mais sincera de que não se está pronto pra seguir. Que é preciso de mais tempo, sozinho. Desmembrar o restante de sentimento que resta e focar em outras coisas que te satisfaz. E o medo te acompanha em tudo. E como eu queria que alguém despertasse interesse em mim e estivesse disposto a curar o que eu sinto, ainda doído aqui. Valorizei mais a minha família e compreendi que basta qualquer ironia da vida pra tudo se desfazer e que ela, a família, não se desfaz pelo acaso. É o laço mais sincero de amor que se existe. E, em segundo lugar, as amizades sinceras. Apesar dos apesares, consigo enxergar graça nas coisas. Tenho que despertar gosto no que faço, para ter prazer ao fazer. Não faço só por mim, mas para outrem. E o destino não é o culpado por tudo. Nossas escolhas, também tem sua parcela de responsabilidade. Muito mais que ele, que só nos mostra os caminhos.  Mas assim, está dando pra viver. Vi-ver! E não apenas existir. Sei que ainda posso fazer mais, mas as coisas se acomodam em seus devidos lugares, tão logo chegue seu tempo. Enfim, ganhei cinco minutos na minha vida agora, que estou mais leve.

domingo, 27 de outubro de 2013

Parafraseando

A relação mais profunda é a experiência do amor. Ela traz as mais felizes realizações ou as mais dolorosas frustrações. Nada é mais misterioso do que o amor. Ele vive do encontro entre duas pessoas que um dia cruzarem seus caminhos, se descobriram no olhar e na presença e viram nascer um sentimento de enamoramento, de atração, de vontade de estar junto até resolverem fundir as vidas, unir os destinos, compartir as fragilidades e as benquerenças da vida. Nada é comparável à felicidade de amar e de ser amado. E nada há de mais desalodor, nas palavras do poeta Ferreira Gullar, do que não poder dar amor a quem se ama. Todos esses valores, por serem os mais preciosos, são também os mais frágeis porque mais expostos às contradições da humana existência.Cada qual é portador de luz e de sombras, de histórias familiares e pessoais diferentes, cujas raízes alcançam arquétipos ancestrais, marcados por experiêncis bem sucedidas ou trágicas que deixaram marcas na memória genética de cada um. O amor é uma arte combinatória de todos estes fatores, feita com sutileza que demanda capacidade de compreensão, de renúncia, de paciência e de perdão e, ao mesmo tempo, comporta o desfrute comum do encontro amoroso, da intimidade sexual, da entrega confiante de um ao outro. - Leonardo Boff.

sábado, 26 de outubro de 2013

Ser Novo

"...Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.
Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina. Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo... C.F.A.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Tens amado?

 “Como tens amado ultimamente?”, perguntaram-me assim, esta frase sem nexo. Não respondi.  Indaguei, então: “o que quer dizer com isso?”.  E respondeu: “Amado, oras? Tens amado?”. Falar de amor a este ser que vos escreve é o mesmo que transcender à razão que hoje inunda minhas entranhas e meu pensamento e, deste ponto, ir para de encontro a ti, visto a emoção que a palavra “amor” transmite. Amar e razão, nem sempre andam juntas. Ainda mais um “amor” vindo de quem vem: meu, meu amor. Pensei... Longos segundos, e respondi: “Tenho escrito, mas não tenho leitores. Meu leitor se despediu, há tempos. Tenho pensado, desde então. Na tentativa de organizar o que sinto. O que penso. Tem funcionado. Mas acho que isso não vale como ‘amor’. E eu também tenho estado com outros. Eles me mostram sorrisos e eu lhes devolvo os meus, tímidos. Eles me estimulam a fala, para que eu não esconda mais na escrita esta minha forma de amar. Eles, meus amores. Família. Amigos. Meus bichos. Meu trabalho”. Eu me fiz clara, pois. Amar é isto mesmo: enxergar ao redor, se agarrar no que tem, e com as forças que existem fazer externar uma alegria de algum lugar qualquer [e que pouco importa de onde venha], mas enxergar felicidade por estar bem ali, com aqueles que te amam e que tu ama também.  Amar sem culpa. A culpa existe se tu não amares ou quiser deixar pra depois. Se assim for, quem vai ser tua companhia, amanhã ou depois, não vai ser quem tu amas, mas sim a culpa, por não amá-los por completo. Na totalidade que “amar” exige. E, pior será: se a vida te cavar uma peça daquelas que te arranca tudo. Até o amor. Aí, então respondi: “Tenho amado, pois vivo. Deixei de ser uma simples existência. Passei a me amar também”.  E bem no fundinho, eu sei: nos dias de ausência, teu refúgio está nas leituras disponíveis. Versos que escrevi a ti, sobre um ‘nós’. E esta tem sido a tua única maneira de amar, também. 

domingo, 13 de outubro de 2013

Amar

Eu vou pensar positivamente e depositar toda fé em qualquer situação, por mais enrolada que esteja. Acredito que é possível superar, dar a volta por cima e mostrar a eles que existe o [nosso] amor, e que este não se define por sexo, classe, credo, etnia, nem pela distância. Fazê-los acreditar, e sobretuto, instigá-los a procurar o amor que lhes causa qualquer formato de felicidade. Minha forma de amar não admite demosntrar-se em guerras ou qualquer outra ocasião que eu possa estar ou colocar quem eu amo em posição de ter que escolher entre o amor de um ou de outro. Se os fizermos acreditar que o amor existe sim, não vai ser preciso tais escolhas. Todos serão e estarão amados. Pois, sem amor, não há felicidade. E ninguém tem direito de oprimir quem deseja viver um amor, porque não foi amado um dia. Permitam-se!! Amem.

                                 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

domingo, 29 de setembro de 2013

Liberte-se

Previsível é aquilo tudo que a realidade te mostra – as circunstâncias reais, e assim te dá subsídios para você deduzir o final. O desfecho, na verdade. A trajetória até aqui trouxe inúmeros aprendizados, não podemos negar. E o posterior, o definitivo agora, trará outros tantos. Uma perspectiva positiva disso tudo, que, de uns tempos pra cá, tornou-se previsível. Sobre os teus dizeres... Eu concordo! E nosso corpo clama por uma libertação há tempos. Merecemos isso. Sabes que meu coração está sereno?! Acredito que esse será nosso melhor final, agora. Contraditório falar em “melhor” quando cada um parte para seu lado, sem olhar pra atrás, sem esperar se cruzar um dia. Mas, observando bem todas as situações e as inacreditáveis maneiras que planejamos nos manter por perto, definitivamente, nos afastar, será o melhor. Desprender-se de um amor que hoje causa dor? É preciso maturidade pra isso. Decisão conjunta mesmo. Não dissemos: faça isso, pois farei aquilo. Dissemos: precisamos disso. (Ambos concordam). E, ao permitir deixar o outro partir, é permitir libertar uma parte tua, que vai com ele, e uma parte dele, livre também, fica contigo. Lembranças boas. Sabemos: não foi um amor precário. Sempre tivemos e nos doamos como pudemos. Não se desculpe, então. Fizemos o que estava dentro do limite de ser feito. Mas sei que pequei, agora, em nossa última conversa, pois tu precisas saber de algo meu que te assola há uns dias e certamente te ajudará a seguir com tranquilidade. Sobre te perdoar! Sim. Eu te perdoo. E permito-te seguir. Deixa teu coração chorar o que deve, agora, e logo ele se acalmará. Vai sentir que estás livre para viver. Amor, quando aprisiona, não se deve insistir. Amar pra valer é deixar o outro em liberdade. Ser senhor dos seus próprios atos, decisões, desejos, quereres. E por isso tudo eu digo que esse foi o meu melhor amor. Descobri o meu melhor jeito de amar. Agradeço a você por isso. E confesso que ainda não descobri todo potencial que cabe nesse meu amor. Nesse meu jeito de amar. E agora talvez não descubra mais a que ponto eu poderia amar alguém (você). Acho que esse amor ficará trancafiado aqui, pra ser dado sequencia um dia, caso voltarmos a nos encontrar – quem sabe? – e estivermos em condições para isso. Outros vão cruzar e outro amor será despertado em mim. E em ti, também, certamente. Recomeçar é o nome disso. Apostar na felicidade. Mais uma coisa, final: tudo que espero que de bom aconteça comigo, frente a essa necessidade de superar isso tudo, eu desejo a você também. Meu coração está “limpo” de qualquer rancor, mágoa, tristeza, vício, relacionado a você. Relacionado a nós dois. Agora, apenas as lembranças permanecem. 

terça-feira, 24 de setembro de 2013

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Externar

Ainda não consigo compreender com clareza como consegui suportar até aqui. Eu ouvi calada a início da tua [nova] história com os vestígios da nossa. Ouvi atenta e, de novo: não sei como consegui, mas, muitas vezes, não deixei o “eu” prevalecer, e te pedia que pensasse “nele”, como um novo alguém repleto de sentimentos, interesses, vontades e desejos para contigo, e que “eu”, fazendo-me presente, seria apenas o fantasma de alguém que não está mais por perto, embora esteja bem aí dentro de ti. Eu já sou o teu fantasma. Que coragem, teríamos nós, de nos darmos adeus, amando dessa maneira? Concordas que, um pouco é doentio da minha parte querer me fazer presente com você, claramente estando partindo pra outra? Embora tu não reconheças, pois sei que não queres e não estás preparado pra isso, e arrisco a dizer que em respeito a mim também, mas, está aí, visivelmente que as coisas estão acontecendo de modo natural e se encaminhando pra isso. É possível sim amar imensamente um e gostar de outro. Ontem nos falamos. Segurei o que pude a vontade de não te atender, mas atendi. Puta “cagada” que eu fiz! Não apenas atendi a ligação, como atendi contrariada ao que me pediu: exteriorizar a raiva. Eu estava completamente fora de mim. E, nas nossas falas (a minha estava embriagada de raiva), parecia-me como uma disputa de “quem está sofrendo mais?”; Quantificar a dor, além de impossível, não é a melhor maneira de dizer que se ama. Tampouco afirmar que, por estar sofrendo mais, logo, ama-se mais. E ressalvo: estávamos os dois agindo assim. Quando pedi que me dissesse como tem me cuidado nos últimos dias, não foi o mesmo que dizer que “você não me cuida”. Eu queria ouvir de ti o que reconhece ter feito por mim nos últimos dias. Pois, o cuidado é singular. Minha maneira de cuidar, suficientemente pra mim, não é a mesma pra você. E quando me dispus a falar, travei. Veio em mente a tua confissão do dia. Só silêncio. E, acrescido a raiva, veio a angustia, a náusea, a dor palpitante e vívida. Aí, então, deixou de ser suportável. Chorei, hoje, desesperadamente, sem dizer a verdade àqueles ao redor. Não consigo segurar pra mim isso tudo. Estou certa de que, se ainda me queres, me ama como dizes (e sinto), não me deixarás partir assim, facilmente. Entretanto, também não conseguirá desenrolar-se desse teu novo “porto seguro”, presente na tua vida, suficiente para suprir as necessidades que eu deixei, ao “partir”. Por que tu ainda me quererias por perto? O que tens a me oferecer, além dessa tua nova história? De que jeito pensas em acalmar essa fossa de tristeza que deixaste em mim? O que seria o “fazer tudo”, que disseste ontem, se eu decidisse ficar? Não quero fazer crescer em mim essa dor-raiva. Não quero uma imagem monstro tua, idealizada pela minha incontrolável situação. Eu quero lembranças boas tua, as nossas lembranças. Mas quero só na memória. Coisas vivas, como fotos, como teu número, como teu cheiro em algumas roupas guardas, permanecerão escondidas, longe do meu alcance. Ainda não tenho coragem de colocar fora. De desprender-me do “pra sempre”. Daqui pra frente só me resta mesmo cicatrizar isso, e vai ter que ser sozinha. Na marra! Procura-me se tiveres as respostas as minhas incógnitas postas aqui.